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Pesquisa:

Setor elétrico brasileiro teve baixa rentabilidade nos últimos anos, aponta estudo da KPMG.


11/06/2018 às 14:09
bioeletricidade

As estatais elétricas brasileiras tiveram baixa rentabilidade nos últimos anos. Essa foi a principal conclusão de um estudo realizado pela KPMG em parceira com o Instituto Acende. O levantamento tinha como objetivo responder se o setor é rentável e adotou como indicador o EVA (da sigla em inglês, Economic Value Added) - Valor Econômico Adicionado). Foram analisados dados de 36 companhias abertas que atuam com geração, transmissão e distribuição de energia, no período de 2011 a 2016. 

A pesquisa foi feita tomando como base dois cenários para análise dos resultados: o primeiro contém resultados de todas as 36 empresas e o segundo exclui a Eletrobras e suas subsidiárias. No primeiro caso, o EVA foi significativamente negativo de 2011 a 2015 e apresentou valor positivo apenas em 2016, ano em que houve a contabilização das indenizações acima citadas, um evento não recorrente. Somados os EVAs anuais, o estudo aponta que houve uma perda econômica consolidada foi de R$ 103,5 bilhões, valor superior ao orçamento do Bolsa Família em 2017, de R$ 80 bilhões. Já no segundo cenário, a perda econômica consolidada foi bem menor, R$ 10,9 bilhões. Nesse caso, o EVA aparece ligeiramente positivo em 2011 e 2012; depois, há o início de uma série de três anos de EVA crescentemente negativo de 2013 a 2015, como consequência da desestruturação setorial generalizada provocada pela MP 579, que acabou afetando todas as empresas, e não somente a Eletrobras; e por fim, houve uma tímida retomada em 2016, com EVA positivo de R$ 1,6 bilhão.

Segundo a sócia da KPMG, Franceli Jodas, os resultados acima permitem algumas conclusões:

"A interferência política gerou consequências negativas no longo prazo para todo o setor elétrico, basta avaliar os resultados do EVA após a Medida Provisória 579. A rentabilidade somente agora retoma a patamares razoáveis de retorno sobre o capital e que este equilíbrio é fundamental para a sustentabilidade dos investimentos no setor", afirma.


Sobre a escolha do indicador e da amostra pesquisada

Em relação ao indicador, a escolha do EVA se deu pelo fato que ele inclui na sua formação o peso tanto do capital de terceiros quanto do capital próprio, e considera o custo de oportunidade de ambos os tipos de capital. O EVA é classicamente adotado para revelar a rentabilidade de setores de infraestrutura.

No que diz respeito à escolha de amostra das empresas, de forma geral, foi definida com base na disponibilidade de dados por elas publicados e buscando obter cerca de 70% de representatividade em cada elo da cadeia (por exemplo, as empresas geradoras da amostra respondem por cerca de 70% da potência instalada no Brasil).

 

EVA do Setor Elétrico Brasileiro (R$ Bilhões)

 

(1) Cenário Base 

(2) Cenário sem Eletrobras

Diferença

(1) - (2)

2011

-16,2

4,5

-20,7

2012

-15,5

1,6

-17,1

2013

-33,2

-4,8

-28,4

2014

-27,5

-6,2

-21,3

2015

-34,6

-7,6

-27,0

2016

23,5

1,6

21,9

Total

-103,5

-10,9

-92,6

Fonte: KPMG e Instituto Acende Brasil, 2017

 




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