Coruripe mira mercado de carbono e deve dobrar área preservada no Cerrado

Reserva Porto Cajueiro, mantida há duas décadas no norte de Minas, pode saltar de 20 mil para até 50 mil hectares; projeto REDD deve gerar 72 mil créd

Coruripe mira mercado de carbo

A Usina Coruripe, referência do setor sucroenergético no Nordeste e em Minas Gerais, acaba de dar um passo decisivo na monetização de seus ativos ambientais. A companhia, que desde o início dos anos 2000 adquiriu terras às margens do rio Carinhanha — cenário do clássico Grande Sertão: Veredas — mantém hoje 20 mil hectares de vegetação nativa do Cerrado protegidos na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Porto Cajueiro, em Januária (MG). Agora, o plano é ampliar a área para algo entre 35 mil e 50 mil hectares e financiar a expansão por meio da venda de créditos de carbono no mercado voluntário. 

Do passivo legal ao ativo de carbono

Originalmente criadas para compensar a reserva legal de usinas em Alagoas e Minas, as terras foram transformadas em RPPN independente das obrigações florestais. Segundo Bertholdino Teixeira Jr., gerente de sustentabilidade da Coruripe, o projeto de carbono — baseado em “desmatamento evitado” (REDD) — será desenvolvido pela EQAO, com suporte da Reservas Votorantim e do Itaú. A estimativa preliminar aponta 72 mil créditos anuais, número que ainda passará por aferição de campo seguindo metodologia da certificadora Verra. 

Fogo sob controle: chave para a integridade do Cerrado

Gerar créditos em área de Cerrado exige rigor no monitoramento de incêndios, comuns ao bioma. O plano inclui:

Sistema de alerta para focos de calor, medindo área queimada e carbono emitido;

Estratégia de “buffer” para eventuais perdas;

Rastreamento da regeneração da vegetação, que costuma se recuperar rapidamente quando bem manejada. 

A expertise da Reservas Votorantim — que já comercializa créditos de conservação do Cerrado — será fundamental nesse processo.

Pressão agrícola impulsiona valor da conservação

A fronteira agrícola que avança entre oeste da Bahia e norte de Minas, com grãos, braquiária e pecuária, eleva o risco de desmate e aumenta o valor de iniciativas de desmatamento evitado. Ao preservar um corredor ecológico inserido no Mosaico Sertão Veredas–Peruaçu, a Coruripe ajuda a proteger nascentes que alimentam o próprio rio São Francisco. 

Alternativas de receita além do carbono

Além dos créditos, a empresa avalia extrativismo sustentável e turismo ecológico como possíveis fontes futuras de renda. A combinação de fluxos de caixa eleva a atratividade econômica de manter a floresta em pé, num momento em que, segundo analistas, a oferta de projetos de alta integridade encolheu e os preços dos créditos vêm subindo. 


Fonte: Siamig



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