Um estudo intitulado “Brazil Net‑Zero by 2040”, liderado pelo Instituto Amazônia 4.0, aponta que o Brasil pode antecipar sua meta de neutralidade de emissões de CO₂ para 2035, e de todos os gases de efeito estufa para 2040, se seguir duas frentes prioritárias: o uso da terra e a transição energética.
Segundo o estudo, no cenário denominado AFOLU-2040 (Agricultura, Florestas e Outros Usos da Terra), o Brasil poderia restaurar 18,2 milhões de hectares entre 2020 e 2040 — área equivalente ao estado do Ceará — e zerar o desmatamento ilegal até 2030. Essa estratégia permitiria que o país alcançasse a neutralidade de CO₂ até 2035 e de GEE até 2040.
Já no cenário chamado Energia-2040, a meta de emissões líquidas zero ocorreria até 2040, com foco em biocombustíveis, energias renováveis, captura e armazenamento de carbono (CCS) e redução significativa da dependência de combustíveis fósseis.
Importância para o setor sucroenergético e para o agro
Para o setor do açúcar-cana, etanol e bioenergia — que é o foco do Canal da Cana — o estudo envia um recado claro: há oportunidade de protagonismo. A combinação de recuperação de pastagens e florestas, aumento da produção de biocombustíveis e ampliação da cogeração pode colocar o Brasil como referência global em energia limpa.
Estados como o Mato Grosso do Sul, com forte base no setor sucroenergético e em bioenergia, podem se beneficiar diretamente desse cenário, aproveitando a infraestrutura existente, capacidade de produção e relevância das cadeias de cana.
Desafios e próximos passos
O estudo ressalta que alcançar esses cenários depende de vários fatores: políticas públicas consistentes, financiamento climático, governança ambiental, rastreabilidade da produção e investimento em tecnologia.
“Não basta fazer o que precisa ser feito, mas tem que deixar de fazer o que não deve ser feito”, afirma uma das autoras.
A antecipação da meta para 2040 exige que o setor agroenergético esteja pronto para acelerar suas transformações — quer seja por meio de maior uso de biomassa, restauração de pastagens ou processos industriais mais sustentáveis.











