Da Redação
As ações da Raízen registraram forte queda nesta quinta-feira (29) após o mercado reagir aos detalhes do plano de recuperação extrajudicial negociado pela companhia com credores.
Os papéis da empresa encerraram o pregão com queda superior a 19%, pressionados pelas preocupações dos investidores em relação à estrutura financeira e ao futuro da companhia.
Segundo os documentos apresentados ao mercado, a Raízen informou dívida total de aproximadamente R$ 75,35 bilhões, sendo cerca de R$ 65,4 bilhões incluídos no processo de recuperação extrajudicial.
A companhia, formada pela joint venture entre Cosan e Shell, negocia alternativas para reorganizar a estrutura financeira e reduzir a pressão sobre o caixa.
Entre os principais pontos do plano está a previsão de um aporte de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell.
A proposta também prevê:
- emissão de novas ações;
- conversão de parte das dívidas em participação acionária;
- renegociação de prazos;
- reestruturação operacional.
Análises do mercado financeiro indicam que os credores poderão ampliar significativamente sua participação na companhia ao longo do processo.
Segundo avaliações repercutidas pelo mercado, os credores poderiam terminar com participação majoritária no capital da empresa após a conversão de parte da dívida em ações.
O plano apresentado aos investidores inclui diferentes modalidades de renegociação para os credores.
Entre as alternativas estão:
- conversão parcial da dívida em ações;
* emissão de novos títulos de dívida de longo prazo;
- pagamentos limitados em dinheiro;
- instrumentos financeiros vinculados às operações futuras da companhia.
Outro ponto que chamou atenção do mercado foi a possibilidade de reorganização estrutural da empresa, incluindo eventual separação entre as áreas de energia e combustíveis.
O plano também prevê mudanças na governança corporativa, com maior participação dos credores na composição do conselho de administração.
A forte reação negativa das ações ocorre em meio ao ambiente de maior cautela no setor sucroenergético e de energia, marcado por:
- juros elevados;
- pressão financeira;
- necessidade de redução do endividamento;
- aumento da disputa por capital;
- volatilidade do mercado internacional.
A Raízen é uma das maiores empresas do setor de bioenergia do país, atuando em áreas como:
- açúcar;
- etanol;
- distribuição de combustíveis;
- bioenergia;
- combustíveis renováveis.
O mercado segue acompanhando os próximos passos da companhia e as negociações envolvendo o processo de recuperação extrajudicial.











